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Um dia me disseram… sobre o medo

Março é um mês que traz a energia da lunação de Peixes, nos apontando o fim de um ciclo astrológico. E sendo um fim é momento de revisar o que passamos para soltar aquilo que precisa deixar ir, para renascer no novo ciclo em Áries. Peixes possui energia da sensibilidade, intuição, compaixão e profundidade dos sentimentos e para começar a revisitar os sentimentos e emoções precisamos começar a falar sobre a insegurança!

Hoje quero começar a contar uma história, que uso de muita licença poética ao unir os meus aprendizados cotidianos com a criação de uma realidade dos sonhos baseada em estudos simbólicos, lendas e profecias de povos originários. Volto a dizer que é com muita licença poética, pois o objetivo dessas histórias não é apresentar fatos, ou recontar os mitos e lendas já existentes,  mas sim trazer reflexões que possam nos auxiliar nesse momento de transformação. 

A nossa aventura dessa semana começa naquele momento em que nos deparamos com um forte Medo ao ponto que paralisamos e não sabemos o que fazer e nem reconhecemos o que sentimos. 

Imagine que você está diante de um ser completamente desconhecido…

UM DIA ME DISSERAM que  no início dos tempos um dos primeiros professores da vida se chamava Pã. Ele era um dos melhores professores com uma grande habilidade de transformar a insegurança em alegria de explorar o desconhecido. E essa alegria era chamada de confiança. Explorar o desconhecido é uma habilidade fundamental para o desenvolvimento pessoal. Alguns chamavam ele de transmutador de almas, mago das emoções, aquele que clareava a escuridão. 
Quando se nasce no Quarto Mundo não há lembranças de quem fomos e o que sentíamos, era Pã que ajudava os filhos da Terra a dormir e sonhar no Quinto Mundo e assim desvendar o desconhecido sobre si mesmo. Com o passar do tempo, os filhos da Terra passaram a tentar controlar todos os instintos e sentimentos. Com isso, Pã que liberava esses instintos passou a ser chamado apenas de MEDO. A insegurança tomou conta de todos os filhos da Terra, pois não havia mais a alegria de Pã para transformar a insegurança em confiança para desbravar aquilo que ainda não tinha sido revelado. 
Pã, que agora é o MEDO, havia se escondido em uma tormenta de nuvens distantes e escuras, mas tudo aquilo que tenta se esconder um dia aparece para assustar e o medo daquilo que não pode ser controlado se faz presente no coração dos filhos da Terra. O sentir, o sensível passou a ser características dos fracos e fracas que seriam domesticados e explorados pelos mais fortes. Com isso, os filhos da Terra começaram a tentar controlar e esconder os sentimentos e os instintos, para não mostrar fraquezas. O professor Pã, que ensinava como desvendar o mundo oculto dos nossos sentimentos, foi caçado pelos Filhos da Terra e recebeu o rótulo de causar os piores males, assim ele  passou a se esconder nas nuvens das tormentas do Medo e do Pânico. E agora quanto mais os Filhos da Terra tentam esconder os sentimentos esse ciclo da insegurança se faz presente como um lupi ininterrupto que paralisa toda a vida na Terra. 

Será que o medo pode ser seu aliado? 

“A mente destituída de viveka (discriminação) viu uma cobra e caiu presa do medo, com todas as consequências desagradáveis desta emoção/choque. Na mente iluminada pela discriminação, a candeia de viveka afastou a ilusão. E, desiludido, o homem viu que não era uma cobra, mas uma corda. Isto lhe restaurou a calma e a segurança. Cada vez que nos capacitamos de que o mundo, com suas ameaças, desventuras, misérias, decepções e vicissitudes não é mais do que uma corda, que não é uma cobra, começa a instalar-se em nós a imperturbabilidade divina. À medida que o mundo, diante da luz de viveka, já não nos hipnotiza e ilude com suas fantasias, com seus prazeres ou dissabores, com seus atrativos ou ameaças, vamos caminhando para a libertação final, até atingirmos o Real.” (Prof. Hermogenes - Yoga para Nervosos) 

Ao ler apenas esse trecho do Livro Yoga para Nervosos do professor Hermógenes você pode simplificar que o Medo seria apenas uma ilusão e o nosso ímpeto imediato é repelir as ilusões, porém, eu sempre chamo atenção das minhas alunas e alunos sobre os conceitos trazidos da filosofia oriental para o ocidente, que nesse trânsito sofre algumas variações de interpretações e pode se tornar banal e simplista. O que chama mais atenção nesse trecho é sobre a travessia de tudo aquilo que reagimos ao mundo. Ter uma mente em viveka, é ter uma mente presente e apta a discernir o que é real e ilusório para atravessar os acontecimento sem banir e nem repelir nada, sem julgamento de bom ou mau e certo ou errado, apenas reconhecendo os aprendizados da travessia.  

Então, por exemplo, numa situação que sentimos medo, as sensações físicas são reais, mas com uma mente em estado de Viveka seríamos mais capazes de reconhecer as sensações, perceber as emoções que estão causando essa sensação de medo, perceber qual o objetivo do medo – medo de que? E compreender se realmente há um perigo iminente ou seria um medo de ultrapassar algum obstáculo interno. Todas essas percepções são a capacidade da mente de discernimento em estado de Viveka, atravessando a sensação de medo. E o estado ilusório da mente seria a sensação de paralisia diante do medo, que seria o medo de sentir medo gerando a paralisia, a inércia, a mente num estado tamasico de inação, sem discernimento, sem percepção clara do que está acontecendo, sem reconhecer as sensações e emoções, apenas num blackout como aconteceu na história contada pelo prof. Hermógenes que uma corda foi transformada numa cobra.

Quantas vezes você deixou de fazer algo com medo de sentir medo?

Antes de entender essa dinâmica do Medo eu vivia paralisada. Fazer algo novo, ir para um lugar novo, fazer algo que eu pudesse passar por algum constrangimento, era um grande desafio.  Era tanto medo de sentir medo que eu vivia inerte. Coisas simples, como ir para uma festa da família eu não ia, paralisava, tinha medo de ser julgada, de não ser aceita, de passar por algum constrangimento e me sentir ridícula. Enfim, só entendi essa dinâmica depois que o medo se agravou, chegando ao nível de ansiedade e agorafobia. Eu comecei a me regular com o Yoga e acompanhamento de SE, aprendendo todos os dias a não deixar o medo me paralisar. Passei a me aproximar desse medo para entendê-lo e o medo começou a ser uma ponte de direção ao crescimento. Mas em um outro post eu conto do meu processo com a Agorafobia.  

O Medo é um sinalizador de avançar com prudência, pois ele está apontando algo novo no nosso caminho. O que não gera medo é tudo aquilo que já foi visto e integrado no sistema pessoal. Normalmente o maior Medo é do desconhecido e é exatamente o desconhecido que vai nos impulsionar para crescer em algum aspecto que ainda não tínhamos percebido.

E quando é que o Medo deixou de ser uma aliada para o crescimento e passou a ser o vilão das nossas aflições?

Ao meu ver, quando passamos a ter vergonha de sentir medo, quando passamos a ser tachados de fracos por sentir medo ou qualquer outro sentimento. Quando a estrutura social materialista define os sentir como fraqueza e vulnerabilidade, assim, os fracos serão abatidos e explorados, porque a vida é para os mais fortes da cadeia alimentar. 

O Medo é um sintoma da insegurança estrutural, que passou a ser um produto do sistema que se mantém tendo os “fortes” sem emoções, sentimentos ou fraquezas, sendo superiores aos paralisados, que não conseguem nem saber o que sentem.  

O Medo do Medo é o perigoso, que maximiza a emoção sem discernimento. 

O medo do medo paralisa todas as ações e com isso entramos num ciclo de insegurança. O medo não é o causador da Insegurança. Existe algo oculto, um sentimento desconhecido que gera o Medo, que é a Insegurança Raiz. 

Paralisados pelo Medo não conseguimos falar com clareza sobre aquilo que queremos, não reconhecemos o que sentimos, passamos a ter um padrão comportamental de tentar fazer tudo pelos outros e ainda sentimos a fabulosa culpa pelo outro não nos amar. O primeiro passo para sair da paralisia é olhar debaixo da cama, e encarar o bicho papão e reconhecê-lo. Coragem é o ato de olhar para o Medo e perceber o que ele tem a te ensinar, pois, tentar escondê-lo debaixo da cama só fará crescer. Coragem não é a falta de Medo e sim o processo de atravessá-lo. Repare que a palavra coragem tem a mesma origem etimológica da palavra coração, então, podemos imaginar que transformar o Medo em seu aliado é voltar-se para o coração, respeitando os seus limites, o seu tempo e o seu processo de desenvolvimento com respeito e atenção. 

MEDO = TENHA MAIS ATENÇÃO NA TRAVESSIA

Fez sentido para você? Me conta o que você sentiu ao ler essa reflexão?

com Alegria,
Nanã Maria Matos

Um dia me disseram… sobre o medo

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