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Caminho de Transformação

Um novo ciclo Astrológico se inicia, O Sol chega no signo de Áries mostrando a transformação do Outono. É um momento de recomeço, mas que ao mesmo tempo a natureza convida revisitar as entranhas da Terra para transformar o lixo interno em adubo. A nossa historia dessa semana fala como a Vida nos empurra em direção daquilo que temos muito medo e que tentamos esconder o máximo possível. Mas tudo aquilo que tentamos esconder em algum momento aparece para nos assustar. É momento de descer e encarar o seu maior medo para transformar em florescimento na próxima estação.

UM DIA ME DISSERAM que a vida seria sempre assim, tudo sempre igual, estático e que isso seria a felicidade. Porém, a vida queria mais dos filhos da Terra e a menina queria mais da sua própria vida. Depois de muitos e muitos anos sem ouvir falar do nome Pã, aquele dia parecia ser diferente, algo estava prestes a mudar. 

Depois da grande caçada, período em que os filhos da Terra caçaram Pã até que ele se escondeu nas sombrias nuvens do Oeste, os outros guardiões da Terra se reuniram e fizeram um acordo com os filhos da Terra. Dividiram a terra em cinco partes. O Norte ficou com os professores e instrutores da sabedoria; no Leste, as sacerdotisas que cantavam e encantavam os mistérios das estrelas e eram as responsáveis pelo portal da vida; no sul estavam aqueles que protegiam e deixavam a Terra sempre abundante; e no Oeste estava aquele que tentaram esquecer, mas que os outros guardiões sabiam que sem ele a vida não seria permitida na Terra. E no centro habitavam os filhos da Terra. cada parte da Terra seria um território e que não poderiam ser ultrapassados.

Essa proposta tinha a intenção de que a grande caçada acabasse e que a existência de Pã permanecesse, para que a vida continuasse, pois Pã mesmo sendo chamado de Medo era o guardião da transformação e a vida para continuar precisava se transformar a cada ciclo. Assim os guardiões propuseram se manter a distância e sem interferir na vida dos filhos da Terra. 

Porém, naquele dia Pã se sentia diferente. A Vida estava diferente, as nuvens do oeste se movimentavam como redemoinhos e haviam mais relâmpagos do que o normal. Todos os outros guardiões também estavam percebendo que a Vida estava se movimentando de uma forma incomum, apenas os filhos da Terra não tinham percebido nada de diferente

Parecia mais um dia comum, exatamente igual a todos os outros, quando de repente a menina levanta a cabeça e vê as nuvens do oeste se movimentando de uma forma que ela nunca tinha percebido. Ela, assustada, se espantou e começou a perguntar para os outros filhos da Terra se eles também estavam vendo as nuvens. Todos diziam a mesma coisa: “não há nada no oeste, continue o seu trabalho”. Mas ela continuava inquieta com tudo que estava vendo. Uma mulher mais velha se aproxima e sussurra algo com a mãe da menina, que logo depois a chamou dizendo:  – vamos para casa! 

A menina entende que de fato, algo estava diferente, mas que os mais velhos fingem que não. E que os mais novos são proibidos de dizer e uns realmente não conseguem ver o contraste. De tanto vê a inquietação da filha, a mãe revela que no oeste vive algo aterrorizante e que ela não pode se aproximar e nem chamar a atenção, pois algo de muito ruim pode acontecer. Isso a deixa mais inquieta ainda, mas tenta fingir que está mais calma para mãe. Passado algum tempo, a menina diz à mãe que viu uma flor tão linda, de cor branca e que acha que seria uma linda flor para o arranjo do festival da eterna primavera. A mãe se alegra como se a menina tivesse voltado a si e permite que a filha vá colher a flor especial. Ela só não sabe que essa tal flor fica num local proibido e na fronteira com o território do Oeste.

Descendo a colina correndo em direção a flor, a menina, num misto de euforia, alegria, mas também medo, dúvida, vontade de voltar, vergonha de ter mentido… tantos sentimentos que ela nunca sentiu antes e nem sabia que tinha. E ela continua a correr até que chega na flor… Sem dúvida uma flor de beleza incrível, cor branco perolado que refletia a própria imagem da menina, como um espelho que ela nunca havia visto a sua própria imagem. Ela se encanta com o que vê e se distrai; não percebe que o que ela tinha acabado de fazer é romper com o acordo, pois acabou de ultrapassar o território, invadindo o Oeste. Com isso, as nuvens da tormenta se expandem e engolem a menina, e começam a ir em direção a vila dos filhos da Terra. 

O que você tem mais medo?

Como você lida com o Medo?

Você conhece os seus limites? 

O Medo te paralisa ou te empurra em direção da vida?

O mito da descida da Deusa e o Desenvolvimento Pessoal

Imagine que como contam no mito de Perséfone, nós passamos por muitos momentos de tentar manter uma eterna primavera e vivemos a vida como Core. Eternamente adolescentes, trilhamos a vida seguindo as nossas vontades e os nossos desejos. Mas a Vida é extremamente pedagógica, e sempre irá nos impulsionar em direção ao nosso crescimento como seres humanos. Utilizando da nossa vaidade, a Vida apresenta uma “flor de narciso”. E partir da embriaguez da imagem que acreditamos ter, o solo se abre e a nossa Core interna cai na fenda do Outono e inicia a sua jornada de descida até o centro da Terra, que é a jornada de amadurecimento, mergulhando no seu interior, despindo-se de tudo aquilo que estava na superfície do seu ser, até que ao chegar no mais escuro e profundo encontrando-se com sua Perséfone e assim se torna senhora dos ritmos, da vida, morte e renascimento. 

O equinócio do Outono inicia da “Descida da Deusa”. A Lua é espelho do inconsciente que revela tudo aquilo que precisamos transformar para gerar equilíbrio na nossa vida.
O Equinócio é sinônimo de equilíbrio. Momento em que a Luz e a Sombra se tornam equânimes. O Sol guardião do dia começa a permitir ser guiado pela dança da Lua que é a Guardiã da Noite. É a Lua que traz o ritmo e o Sol traz a direção e juntos geram equilíbrio e transformação.
No Outono, hemisfério Sul, a Lua começa a guiar o Sol para a escuridão no interior da Terra até o Inverno. Na Primavera, hemisfério Norte, a Lua guia o Sol renascido do interior da Terra até o mais alto do Céu para a chegada do Verão. 

Se preparar para o Equinócio é entrar em sintonia com os ciclos e ritmos naturais. Permitir que a sua Lua guie o ritmo da dança com o Sol proporcionando equilíbrio na sua vida.
A Lua é a nossa energia interna, que gera transformação e crescimento. Ela tem a função de ser um farol que ilumina a nossa escuridão (inconsciência). O Sol é a nossa consciência que revela a nossa essência. Para que o nosso Sol renasça na Primavera é preciso seguir o ritmo da nossa Lua e mergulhar no interior da nossa Terra que é a nossa personalidade e corpo para transformar tudo aquilo que obstrui a expressão do nosso Sol. 

O Outono é o contraste da primavera, é o anúncio do momento de crescer, de descer no nosso escuro para encontrar a nossa face madura e reconhecer quem somos, o nosso permanente, o nosso eixo. Toda tormenta se encontra na superfície; no profundo encontra-se a estabilidade da quietude e daquilo que realmente nos pertence. É o momento de deixar ir o que precisa ir, e se despir de todas as alegorias que criamos como imagem de quem somos na superfície.

Ao encontrar uma flor perceba que essa beleza não está na flor, e sim nos olhos de quem a vê. A beleza da flor, da juventude, da primavera só existe porque em outro momento oposto o ar se torna mais fresco e frio, as folhas começam a cair e tudo começa a deixar de existir. Então, nossa essência foi convidada a descer, minguar, morrer para assim aprender o grande mistério e poder renascer! 

A Natureza é tão maravilhosa que no mesmo momento, no hemisfério Sul é o Outono e no hemisfério Norte é a Primavera, porque a natureza se autorregula, se auto equilibra por oposição! E isso nos ensina como transitar pelas primaveras e mergulhar nos outonos. Vivendo e morrendo quando é necessário!

E você como está vivendo o seu Outono e a sua Primavera?

Caminho de Transformação
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